domingo, 12 de setembro de 2010

Carlos Drummond de Andrade

POR QUE?

Por que nascemos para amar, se vamos morres?

Por que morrer, se amamos?

Por que falta sentido

ao sentido de viver, amar, morrer?




QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.






Dica de Língua Portuguesa

Eu não lhe vi ontem.

Foi bom. Quem diz "eu não lhe vi" é bom que não me veja mesmo...
Quem vê, vê alguma coisa. Por isso, esse verbo, que não pede preposição, deve ser usado com o pronome o (ou variações), e não com o pronome lhe, que se usa com verbo que pede preposição. Por isso:
Eu não o vi ontem.
Não quero prejudicá-lo.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eros (Cupido): deus do amor

Eros - deus grego do Amor, o mais belo dos deuses, conhecido entre os romanos como Cupido. Nasceu do Caos com Gaia e Tártaro. Posteriormente foi considerdo filho de Ares (Marte) e Afrodite (Vênus)




A LENDA DE EROS E PSIQUÊ







Era uma vez um rei que tinha três filhas. Duas eram lindas, mas a mais nova era muito, muito mais bonita. Dizia-se até que Afrodite - a deusa da beleza - não era tão bonita quanto Psiquê (esse era seu nome). Os templos de Afrodite andavam vazios porque as pessoas, principalmente os homens, passaram a cultuar aquela princesa maravilhosa.

Afrodite ficou com ciúme e pediu para seu filho Eros, preparar uma vingança. Ela queria que Psiquê se apaixonasse por um monstro horrível. Só que Eros também acabou sendo atingido pelos encantos da menina. Ele ficou tão maravilhado ao ver Psiquê que não conseguiu cumprir a ordem da mãe.

O estranho é que todos aqueles homens que ficavam enfeitiçados com sua beleza não se aproximavam e nem tentavam namorá-la. As duas irmãs, que perto da caçula não tinham a menor graça, logo arranjaram pretendentes e cada uma se casou com um rei. A família ficou preocupada com a solidão de Psiquê. Então, um dia, seu pai resolveu perguntar ao oráculo de Apolo o que deveria fazer para a menina arranjar um marido. O que ele não sabia é que Eros já havia a Apolo para ajudálo a cumprir aos planos da mãe. A resposta que o rei levou para casa o deixou muito mais preocupado do que já estava: o deus falou que Psiquê deveria ser vestida de luto e abandonada no alto de uma montanha, onde um monstro iria buscá-la para fazer dela sua esposa.

Embora muito triste, a família cumpriu essa determinação e Psiquê foi deixada na montanha. Sozinha e desesperada, ela começou a chorar. Mas, de repente, surgiu uma brisa suave que a levou flutuando até um vale cheio de flores, onde havia um palácio maravilhoso, com pilares de ouro, paredes de prata e chão de pedras preciosas.

Ao passar pela porta ouviu vozes que diziam assim: "Entre, tome um banho e descanse. Daqui a pouco será servido o jantar. Essa casa é sua e nós seremos seus servos. Faremos tudo o que a senhora desejar." Ela ficou surpresa. Esperava algo terrível, um destino pior que a morte e agora era dona de um palácio encantado. Só uma coisa a incomodava: ela estava completamente sozinha. Aquelas vozes eram só vozes. Vinham do ar.

A solidão terminou à noite, na escuridão, quando o marido chegou. E a presença dele era tão deliciosa, que Psiquê, embora não o visse, tinha certeza de que não se tratava de nenhum monstro horroroso.

A partir de então sua vida ficou assim: luxo, solidão e vozes que faziam sus vontades durante o dia e, à noite amor. Acontece que a proibição de ver o rosto do marido a intrigava. E a inquietação aumentou mais ainda quando o misterioso companheiro avisou que ela não deveria encontrar sua família nunca mais. Caso contrário, coisas terríveis iriam começar a acontecer.

Ela não se conformou com isso e, na noite seguinte, implorou a permissão para ver pelo menos as irmãs. Contrariado, mas com pena da esposa, ele acabou concordando. Assim, durante o dia, quando ele estava longe, as irmãs foram trazidas da montanha pela brisa e comeram um banquete no palácio.

Só que o marido estava certo. A alegria que as duas sentiram pelo reencontro logo se transformou em inveja e elas voltaram para casa pensando em um jeito de acaar com a sorte da irmã.Nessa mesma noite, no palácio, aconteceu uma discussão. O marido pediu para Psiquê não receber mais a visita das irmãs e ela, que não tinha percebido seus olhares maldosos, se rebelou. Já estava proibida de ver o rosto dele e agora ele queria impedi-la de ver até mesmo as irmãs? Novamente, ele acabou cedendo e no dia seguinte as pérfidas foram convidadas para ir ao palácio de novo. Mas dessa vez elas apareceram com um plano já arquitetado.

Elas aconselharam Psiquê a assassinar o marido. À noite ela teria que esconder uma faca e uma lamparina de óleo ao lado da cama para matá-lo durante o sono.

Psiquê caiu na armadilha. Mas, quando acendeu a lamparina, viu que estava ao lado do próprio Eros, o deus do amor, figura masculina mais bonita que havia existido. Ela estremeceu, a faca escorregou da sua mão, a lamparina entornou e uma gota de óleo fervente caiu no ombro dele, que despertou, sentindo-se traído, virou as costas, e foi embora. Disse: "Não há amor onde não há confiança".

Psiquê ficou desesperada e resolveu empregar todas as suas forças para recuperar o amor de Eros, que, a essa altura, estava na casa da mãe se recuperando do ferimento no ombro. Ela passava o tempo todo pedindo aos deuses para acalmar a fúria de Afrodite, sem obter resultado. Resolveu então se oferecer à sogra como serva, dizendo que faria qualquer coisa por Eros.

Ao ouvir isso, Afrodite gargalhou e respondeu que, para recuperar o amor dele, ela teria que passar por uma prova. Em seguida, pegou uma grande quantidade de trigo, milho, papoula e muitos outros grãos e misturou . Até o fim do dia, Psiquê teria que separar tudo aquilo.

Era impossível. Ela já estava convencida de seu fracassoquando centenas de formigas resolveram ajudá-la e fizerm todo o trabalho.

Surpresa e nervosa por ver aquela tarefa cumprida, a deusa fez um pedido ainda mais difícil: queria que Psiquê trouxesse um pouco de lã de ouro de umas ovelhas ferozes. Percebendo que ia ser trucidada, ela já estava pensando em se afogar no rio quando foi aconselhada por um caniço (uma planta parecida com um bambu) a esperar o sol se pôr e as ovelhas partirem para recolher a lã que ficasse presa nos arbustos. Deu certo, mas no dia seguinte uma nova missão a esperava.

Agora Psique teria que recolher em um jarro de cristal um pouco da água negra que saía de uma nascente que ficava no alto de uns penhascos. Com o jarro na mão, ela foi caminhando em direção aos rochedos, mas logo se deu conta de que escalar aquilo seria o seu fim. Mais uma vez, conseguiu uma ajuda inesperada: uma águia apareceu, tirou o jarro de suas mãos e logo voltou com ele bem cheio de água negra.

Acontece que a pior tarefa ainda estava por vir. Afrodite dessa vez pediu a Psiquê que fosse até o hades (inferno) e trouxesse para ela uma caixinha com a beleza imortal. Desta vez, uma torre lhe deu orientações de como deveria agir, e, assim, ela conseguiu trazer a encomenda.

Tudo já estava próximo do fim quando veio a tentação de pegar um pouco da beleza imortal para tornar-se mais encantadora para Eros. Ela abriu a caixa e dali saiu um sono profundo, que em poucos segundos a fez tombar adormecida.
A história acabaria assim se o amor não fosse correspondido. Por sorte Eros também estava apaixonado e desesperado. Ele tinha ido pedir a Zeus, o deus dos deuses, que fizesse sua mãe parar com aquilo para que eles pudessem ficar juntos.
Zeus então reuniu a assembléia dos deuses (que incluía Afrodite) e anunciou que Eros e Psiquê iriam se casar no Olimpo e ela se tornaria uma deusa. Afrodite aceitou porque, percebendo que a nora iria viver no céu, ocupada com o marido e os filhos, os homens voltariam a cultuá-la.
Eros e Psiquê tiveram uma filha chamada Volúpia e, é claro, viveram felizes para sempre.

domingo, 29 de agosto de 2010

Afrodite: a deusa do amor e da beleza




Nascida do sêmem de Urano misturado ao mar, Afrodite (ou Vênus, em Roma) é a mais bela e sedutora das deusas e dela emana todo amor que existe pelas mulheres. Seu poder de atração é tamanho que todos os deuses brigam o tempo todo por causa dela, ao passo que ela ignora tudo solenemente.

Afrodite é quem govern as múltiplas formas de amor e paixão, sempre envolvida por um magnetismo intenso, pela alegria, pela sedução e pelo glamour. Ela casa e tem filhos, mas também é amante de vários homens e deuses e nunca se deixa humilhar ou dominar. Vaidosa, não tolera que outra mulher tenha capacidade de seduzir ou beleza comparável à sua, punindo as mortais que se atrevem a cruzar o seu caminho. Afrodite é temida por suas explosões de ódio quando os seu caprichos são negados. Em várias ocasiões, ela usa o amor como arma fatal dando vazão a suas vinganças.

As celebrações em sua homenagem eram chamadas de afrodisíacas e aconteciam em toda a Grécia, tendo no sexo livre um meio de contato e de culto à deusa. Afrodite representa a afirmação de desejo de prazer pelo prazer, que se manifesta principalmente através da atração sexual. Segundo suas leis e seus caprichos, as paixões e os amores se realizam ou são frustrados.




quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Dica de redação

1. Apresentação
A boa apresentação de um texto é uma forma de garantir uma leitura tranquila do que pensamos e transcrevemos para o papel.
Consideramos questões de apresentação:
a) Limpeza - ausência de borrões e sujeiras, evitando o uso de corretivo.
b) Letra legível - não se trata de ter uma letra belíssima: a questão é conseguir ser legível a fim de garatir a leitura do que se escreveu.
c) Respeito às margens do papel - não escreva após o termino da linha ou às margens. Tudo precisa estar visível, legível e bem organizado.
d) Espaço que marca o início do parágrafo - no passado, algum dia, um professor de Português já lhe pediu dois dedos de afastamento da margem para o início de cada parágrafo. Digamos que não seja preciso haver tanto rigor, mas o afastamento é obrigatório, mostrando melhor disposição das suas idéias.
e) Letras maiúsculas e minúsculas em locais adequados - o emprego da letra maiúscula não é uma escolha particular, não pode ocorrer no meio da linha sem nenhum critério. Basicamente ele se restringe ao início das frases e aos nomes próprios.
2. Linguagem
Atente sempre para que a linguagem por você utilizada seja adequada ao tipo de texto que está escrevendo.
a) Linguagem coloquial - é aceitável, por exemplo, quando contamos uma história e queremos caracterizar algum personagem por sua simplicidade. Nesse caso, até a gíria pode ser pertinente. É um erro, porém, em textos em que se pretende discutir idéias.
b) Norma culta - é aquela que deve prevalecer em textos escritos. Lembre-se de que a norma culta implica respeitar as regras gramaticais.
c) Vocabulário - uma palavra errada pode determinar a incompreensão de toda uma frase, de toda uma idéia que você pretende transmitir.
Logicamente há outras questões a serem consideradas quando escrevemos ou corrigimos nossa redação. Esses são os primeiros passos para guiar nosso trabalho. Tenha isso em mente.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

MARTHA MEDEIROS








Vocabulário 'vintage'


Eu havia combinado de buscar minha filha na casa de uma amiga por volta das 18h. Pouco antes desse horário, ela me ligou toda excitada, dizendo que haviam resolvido assistir a um DVD e que alguém havia providenciado marshmallow com morangos e todas as outras gurias iriam ficar até mais tarde, então, mãe, mamãezinha, deixa eu ficar mais um pouco!!!


Respondi:


- Tudo bem, me liga quando esse frege terminar.


Silêncio abissal do outro lado da linha. Minha filha recuperou seu tom de voz normal em respondeu um seco:


- Tá, eu ligo.


Parecia que tinha recebido a notícia da morte de um parente.


Assim que desliguei, não contive o riso. Frege! Minha filha deve ter ficado em estado de choque, que língua mamãe está falando?


Na mesma hora, lembrei de uma passagem do ótimo "Eles foram para Petrópolis", livro que publica uma troca de correspondência virtual entre os jornalistas Ivan Lessa e Mário Sergio Conti. São textos eletrizantes, inventivos, inteligentes, que nos fazem matar a saudade de Paulo Francis, de quem os dois sempre foam amigos, aliás. Em certa passagem do livro, eles salientam ser "imprescindível tirar uma palavrinha lá da cozinha, dar uma limpada, um bom brilho, e depois tacar na cristaleira da sala de jantar para as visitas admirarem". E concluem: "Uma gíria e um bordão podem e devem pedir o boné e se mandar. Uma palavra, não."


Concordo e dou fé (também tirando da cozinha uma expressão empoeirada). Sempre gostei de ver resgatadas algumas palavras antigas que, em vez de denunciarem a decrepitude de quem as escreve, acabam por dar ao texto um ar vintage, que, comose sabe, é ultramoderno. Em vez de dizer que fulana ficou estressada, não é muito mais divertido dizer que ela teve um faniquito? Temos medo de bandidos, mas simpatizamos com os pilantras. E quem é aquela dando em cima do seu marido? Uma boa de uma bisca. Vá lá salvá-lo antes que a sirigaita o leve no bico. Antigamente as expressões eram mais leves, e leveza hoje é uma qualidade revolucionária.


Esgotado o tempo regulamentar, busquei minha filha na casa da amiga e vi que seu cotovelo estava esfolado.


- O que aconteceu? - perguntei, quando ela entrou no carro.


- Nada de mais, mãe, levei um boléu.


Não era caso para achar graça, mas achei.


Martha Medeiros


Revista O Globo. 22/08/2010







sábado, 14 de agosto de 2010

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram

Quantos filhoe em vão resaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abysmo deu,

Mas nelle é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa